Em 15 anos que acompanho o Oscar, jamais vi tamanha comoção e expectativa em torno da categoria de ator coadjuvante. Dia 22, ao que tudo indica, será o dia que o Coringa fará o mundo se emocionar.
ATOR COADJUVANTE
HEATH LEDGER (o Coringa, de Batman – O Cavaleiro das Trevas)
Indicação anterior: melhor ator por O Segredo de Brokeback Mountain.
Em 1977, Peter Finch ganhou um oscar póstumo por Rede de Intrigas. James Dean foi indicado duas vezes ao Oscar depois de morto. Mais recentemente, o italiano Massimo Troisi também concorreu ao prêmio de interpretação postumamente.
Não houve outro assunto no mundo do cinema em 2008: Batman, Coringa e Heath Ledger. Ator talentoso + sucesso de crítica + fenômeno pop + morte trágica = Oscar. E merecido, diga-se de passagem.

PHILIP SEYMOUR HOFFMAN (o Padre Flynn, de Dúvida)
Prêmio anterior: melhor ator por Capote. Indicação anterior: melhor coadjuvante por Jogos do Poder.
Hoffman é, sem sombra de dúvida, o melhor ator de sua geração. Essa é sua segunda indicação seguida ao Oscar de coadjuvante, além de já ter ganho como principal por Capote. Em um mundo perfeito, sem o fator “comoção-pela-morte-do-coringa”, o Oscar desse ano seria dele. Em “Dúvida”, Hoffman consegue sempre deixar o espectador se perguntando sobre as intenções do padre que supostamente molestou uma criança. Genial.
ROBERT DOWNEY JR. (o Kirk Lazarus, de Trovão Tropical)
Indicação anterior: melhor ator por Chaplin
Bom ator? O trabalho feito em Chaplin não deixa dúvidas. Papel engraçado? Confere. Mas é nítido que a indicação ao Oscar de Downey Jr. é apenas um “muito obrigado” da indústria cinematográfica ao Homem de Ferro.

JOSH BROLIN (o Dan White, de Milk)
1ª indicação
O Oscar tem dessas coisas. Ano passado, Josh Brolin brilhou. Onde os Fracos Não Têm Vez, O Gângster, Planeta Terror… e a Academia não quis nem saber. Não foi lembrado para nada. Esse ano, em uma interpretação menor e mais contida acabou levando uma das vagas para coadjuvante. Competente sim, mas nada que justifique uma indicação.
MICHAEL SHANNON (o John Givings, de Foi Apenas um Sonho)
1ª indicação
Em 2007, pouca gente viu um pequeno filme independente, sensacional, chamado Bug - Possuídos. Ali surgia um ator sensacional chamado Michael Shannon. Em suas poucas cenas em Foi Apenas um Sonho, Shannon se destaca mesmo contracenando com Kate Winslet, Leo DiCaprio e Kathy Bates. Com certeza, a primeira indicação de muitas que virão.
ATRIZ COADJUVANTE
PENÉLOPE CRUZ (a Maria Elena, de Vicky Cristina Barcelona)
Indicação Anterior: melhor atriz por Volver.
Adoro Woody Allen. De verdade. Talvez seja por isso que fiquei tão decepcionado com seu último filme. Nunca gostei de Penélope Cruz, e apesar dela injetar um pouco mais de “vida” a Vicky Cristina Barcelona, nada justifica essa indicação. É a favorita e possivelmente ganhará, mesmo suas concorrentes sendo mais dignas. Pena.
VIOLA DAVIS (a Sra. Miller, de Dúvida)
1ª indicação
Talvez a melhor interpretação de uma coadjuvante em muito, muito tempo. Se houvesse justiça no mundo, o Oscar iria para ela. Poucas vezes um personagem conseguiu atingir um equilíbrio em emoção/frieza. Sensacional.

MARISA TOMEI (a Cassidy, de O Lutador)
Prêmio anterior: coadjuvante por Meu Primo Vinny. Indicação anterior: coadjuvante por Entre Quatro Paredes.
O Oscar que Tomei ganhou em 93, por Meu Primo Vinny, foi um erro. Indiscutível. E por um bom tempo, ela ficou marcada como uma grande cag*@# da história da Academia. Daí veio Entre Quatro Paredes, Antes Que o Diabo Saiba Que Você Está Morto, e finalmente Marisa se tornou a grande atriz vista em O Lutador. Pode ser a agradável surpresa da noite.

AMY ADAMS (a Irmã James, de Dúvida)
Indicação anterior: coadjuvante por Retratos de Família
Apesar de já ter 34 anos, Adams é a atriz certa para papéis que requerem fragilidade e inocência, como já visto em Retratos de Família e Encantada. E isso torna a atriz um pouco repetitiva em seus papéis. Em caso de divisão de votos entre Cruz e Davis, pode se tornar uma alternativa e ser a grande surpresa da noite. É a carinha bonita para enfeitar a premiação desse ano.
TARAJI P. HENSON (a Queenie, de O Curioso Caso de Benjamin Button)
1ª indicação
Triste ver uma atriz talentosa como Henson resumida a uma caricatura, como visto em Benjamin Button. Tirou a vaga de concorrentes melhores. A indicação por si só é MUITA coisa. MUITA.








Guilherme
um dia este blog foi bom!
em 19/ Feb/ 2009 | às 10:39 am